Aqui vou publicar alguns poemas, histórias e não só, criados pela minha mãe

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Não deixemos morrer o amor.

Não deixemos morrer o amor,
que dentro de nós existe
uma vida sem amor,
é uma vida muito triste.

O amor é para se dar,
não o deixar encerrado.
Talvez alguém que precisa,
alguém que vive ao nosso lado

Esse alguém talvez não tenha
ninguém que lhe dê amor
talvez velhinho e cansado...
Quem sabe? nova vida em flor

Tudo anda preocupado
neste mundo de ilusão
esquecendo que o amor faz falta,
tanto como o pão.
- Maria de Jesus -

domingo, 6 de setembro de 2015

Sentir de Mulher


Dois longos anos se passaram
desde que partiste amor
meus olhos tristes choram...
chorando esta imensa dor.

Saudade, dor, tudo em mim ficou,
ansiedade, medo de te perder
tão longe de mim estás amor,
isto não é viver.

Não há dinheiro que pague estes anos perdidos,
Por dinheiro partiste, para essas terras sem fim,
disseste tu ao partir que era por nossas filhas,
por nossas filhas e por mim.

Mas ó amor, valerá este sacrifício?
Tanto tempo sem te ver
hora a hora, dia a dia
não há dinheiro que pague,
tua querida companhia.

Mas quando tu voltares,
breve será se Deus quiser
Aqui está para te abraçar
a tua querida mulher.
- Maria de Jesus-

Este poema foi escrito quando o meu pai havia imigrado para os estados unidos, não sei precisar a data mas creio que em 1968.
Agora dois longos anos passaram, mas desde que partiu para o céu. Não está entre nós, mas está sempre no seu pensamento, por vezes até o vê... como se estivesse ali presente, presente na mente e também no coração. Um amor como o deles não tem barreiras, continua após a morte, é transcendente.
Elia Silva

sábado, 5 de setembro de 2015

Passeio ao Norte com a São o marido e meus compadres em 5 Setembro 1993

Cá vamos nós em passeio, umas férias merecidas,
pedindo a Nosso Senhor que guie as nossas vidas
Passamos terras lindas, paisagens sem igual,
Serras muito verdinhas no norte de Portugal.

Durante o nosso passeio, coisa gira aconteceu,
primeiro foi meu compadre que de nós se perdeu.
Ele é que era o guia, indicando o caminho
nós seguimo-lo atrás seguindo o mesmo destino.

Foi na recta do Cabo, paramos para por gás
eles lá continuaram, nós ficamos para trás
E ele lá continuou feliz e descontraído
quando olhou pelo espelho, viu que nos tinha perdido.

Então voltou para trás, calado sem abrir piu
passou por nós, catrapás, distraído nem nos viu.
Tocou-se bem a buzina para chamar a atenção,
disse que o sol o encandeou, pertubou-lhe a visão.

Depois lá nos encontramos, comentamos o acontecido
achamos imensa graça por este momento vivido.

Em Vila Franca de Xira, paramos para um cafezinho
Obidos
demos os parabens à Elsa um abraço e um beijinho.
A Elsa fazia anos, precisamente nesse dia,
neste ponto de encontro foi motivo de alegria.

Por muitas terras passamos de nomes muito engraçados,
dos quais eu apontei, mas todos, nós não visitamos.

Foi a de o Conde de Obidos, a primeira visitada
uma vila muito linda, toda ela amuralhada
É uma Vila muito antiga de casas originais
com janelas floridas de tempos medievais

Ruas estreitas de calçada, com histórias para contar
pelos Celtas, Mouros ocupada, D.Afonso Henriques lhe foi tomar a 11-1-1148

Muito recente na história do nosso tempo de então
Cidade Ponte da Barca
foi aqui preparada 25 de Abril, a revolução.

Caminhamos para o Norte, foi esse o nosso destino,
às lindas terras do Douro também ao verde Minho.
Ó altas terras do Minho, paisagem maravilhosa
gente boa hospitaleira de comida bem gostosa.

Cidade Ponte do Barca, terra mais linda não vi,
meu coração fica triste por me separar de ti.
No Sitio do Assento, sentei-me para almoçar
adeus Sitio do Assento... pensando um dia voltar.

As nuvens tocam a serra, duma beleza sem par
cobrindo as silvas de orvalho, gotas d'agua a brilhar
Belas fontes de agua fresca à beira do caminho achei,
saciei a minha sede Graças a Deus eu dei.

Nas lindas terras do Bouro tudo é verde e fresquinho,
Quem quiser ter ar puro, venha às terras do Minho.
Adeus ó Vale de Camara, comemos barato e bem,
com o cartão avariado não há dinheiro pra ninguém.

Fui duas vezes ao Gerez para a serra puder ver,
mas não tive esse gosto por começar a chover.

Nas lindas terras do norte todo o ribeirinho tem agua,
deixar as terras do norte foi toda a minha mágoa.

Quero aqui deixar dito o que por mim passou,
dos pêssegos que comi, do estado que me deixou.
Foi em Figueira da Foz o desfeixo dessa dita,
vomitando p'las esquinas, que coisa mais esquisita!

Eu ainda vi o rancho, no coreto actuando,
Santuario Santa Luzia
meu estômago às voltas, parecia estar dançando.

Em Viana do Castelo, passei por lá rezando
de caminho ao Santuario lá no alto me esperando.
E quando lá cheguei entrei e fui orar
dei graças a Deus por ali poder estar.

Pedi a Santa Luzia que foi mártir também,
luz do Espirito e da alma para mim e minha mãe.
Depois subi à torre, que a Catedral tem,
só sobe um cada vez, pois não cabe mais ninguem.

Foi para mim experiência daquilo que posso fazer,
com força de vontade e fé, só quem sobe aquela torre
pode saber o que é.

Parece que ia subindo, direitinho para o céu,
custou muito, mas foi bom, tal como a vida,
digo eu...

- Maria de Jesus-




quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Recordação e Saudade


Este poema foi publicada neste livro.
Cerca Velha e Paderne
dois nomes que eu não esqueço
como posso me esquecer,
se foi aí meu berço?

Recordação de criança
do tempo que lá vivi,
Guardo na minha lembrança
pois nunca mais esqueci

Como corria feliz,
pelas veredas e caminhos
Escutando encantada
o gorgeio dos passarinhos.

No verão eram as cigarras
num constante cantar
era o trigo nas eiras
pronto para debulhar

À noite como era lindo
estrelas no céu a brilhar
só quietude e silencio
que nos fazia sonhar.

Quando florescem amendoeiras
Com todo seu esplendor,
dando aos campos a beleza
De um inigualável valor

Até os abruptos rochedos
eu via sua beleza
Dando-lhes formas estranhas
de animais ou humanos
de estranha figuração
tal qual a natureza
da minha imaginação.

Tantos anos já passaram
com elas a mocidade
hoje tudo o que resta
é esta profunda saudade.

Maria de Jesus 



Este foi o primeiro poema que a minha mãe escreveu quando vivia nos E.U.A., foi a saudade da sua terra natal que lhe deu a inspiração. Para matar as saudades minha mãe subscrevia ao jornal "A Avezinha", jornal local de Paderne que recebia lá no estrangeiro. O jornal tinha uma secção de poesia, creio que foi assim que começou o gosto, enviou este poema para o jornal que o viria a publicar tanto no jornal, como tambem mais tarde neste livro.
Elia Silva

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Quando abrires este livro

Quando abrires este livro
Os meus versos fores ler
vês neles o meu sentir
e fazes do meu viver

Alguns é grito de alma
outros que são oração
pedindo a Deus força e calma
para o que vai no coração

Outros é a natureza,
que me inspira e faz sonhar
quando olho as estrelas
numa noite de luar.

Alguns é a saudade
que tanto nos faz sofrer
escrevendo mata o tempo
e nos ajuda a viver.
Maria de Jesus

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Crise no Golfo

Será que mais uma guerra está para acontecer?
Pela ganancia de um rei, da ambição e do poder!

Oh! Senhor não permitais que isso possa acontecer
vão sofrer os inocentes, muito povo vai morrer

Muitos já estão sofrendo. Sem lar, sem agua, sem pão
fugindo de sua terra, e das garras do leão.

Este homem sem coração vive no luxo e na riqueza
enquanto seu povo vive tristemente na pobreza.


Maria de Jesus 

Escrito  a 10 Agosto 1990

Para preparar a guerra tanta despesa se faz
muito melhor seria gasto para preparar a paz

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Não sou poeta

Eu sei que não sou poeta
Nem nada que se pareça
Só sei que me sinto bem
Escrevendo o que me vem a cabeça

Transmito para o papel
O que vai  no meu sentir
Como se fosse alguém
que me estivesse a ouvir

Sei que não tenho resposta,
se está bem ou está mal
Que vou escrevendo pouco importa
faço o que sei afinal

Gostava de transmitir
Aquilo que penso da vida
O que vai no meu sentir
No meu jeito tem guarida

Maria de Jesus

Guarida é um substantivo feminino que significa abrigo ou refúgio.
Eu não sabia o que essa palavra queria dizer, por isso procurei a definição, para quem também gosta de aprender.

Acredito que realmente durante muitos anos assim foi; escrevendo se refugia mas se libertava também.
Com este poema comecei uma pagina no Facebook (com o mesmo nome) hoje dia 24 de Agosto 2015. Pode ser que assim consiga fazer chegar a mais pessoas.
aqui fica o link https://www.facebook.com/poemasdaminhamae?ref=hl
Elia Silva